Me despi.
Havia muitos medos, incertezas, inseguranças, mesmo assim, sai.
O casulo, não mais me comportava.
O desejo de liberdade, a vontade da minha alma, já era grande em um pequeno espaço.
O rompi.
A luz entrou, ofuscou meus olhos.
Precisei de um tempo para acostumar-me com tudo aquilo, com o novo, com aquela luminosidade.
O que vi, encheram meus olhos de alegria.
Sai, voei.
Meu desejo?
Ir o mais alto que minhas asas conseguirem voar, bem acima, transpor as nuvens.
Ainda com o corpo frágil, em evolução, sofro a foça dos fortes ventos, que muitas vezes forçam-me à direções indesejadas.
Alguns ventos são impiedosos e arremessam-me ao chão.
Ganho feridas.
Mesmo entre vendavais, não há queda, feridas, que me façam voltar.
Não desisto.
Agora, vejo somente o horizonte, mas ainda não será meu limite.
O que vivi, o que passei, ficará em minhas lembranças, pertencem ao passado.
Passado sem direitos de reprises.
Lugar onde eu sai, e que nunca mais ousará me aprisionar.